Blog
O que significa um vinho ser “encorpado”?
Você já ouviu alguém descrever um vinho como “encorpado” e ficou na dúvida sobre o que isso realmente quer dizer? A expressão é uma das mais usadas no mundo do vinho, e uma das mais fáceis de entender quando a gente pensa na sensação certa.
Tudo começa na sua boca
Imagine tomar um gole de água. Agora imagine tomar um gole de leite integral. A diferença que você sente, aquela sensação de peso, de preenchimento, é exatamente o que os apreciadores de vinho chamam de corpo.
O corpo de um vinho é, essencialmente, a sensação de peso e textura que ele deixa na boca. Um vinho leve passa de forma fluida, quase como água. Um vinho encorpado tem presença: você o sente preencher o palato, com uma textura mais densa e persistente.
O que determina o corpo de um vinho?
Três elementos principais definem se um vinho é leve, médio ou encorpado:
- Álcool. Quanto maior o teor alcoólico, mais encorpado tende a ser o vinho. Vinhos com mais de 14% geralmente são bem estruturados. Isso acontece porque o álcool tem uma textura viscosa que contribui para essa sensação de peso.
- Taninos. Presentes principalmente nos tintos, os taninos são compostos naturais das cascas e sementes da uva. Eles criam aquela sensação levemente adstringente, como quando você come uma uva com semente. Quanto mais taninos, mais estrutura e corpo o vinho tende a ter.
- Açúcar residual e glicerina. Vinhos com mais açúcar ou glicerina naturalmente têm uma textura mais untuosa, o que também contribui para a sensação de corpo.
Uma boa forma de treinar o paladar: sirva um vinho leve e um encorpado lado a lado e perceba a diferença de textura, sem precisar identificar uvas ou regiões, só prestando atenção na sensação na boca.
A escala do corpo
É comum dividir os vinhos em três categorias, mas pense nelas como um espectro contínuo:
- Leve: Pinot Noir, Vinho Verde, Assyrtiko jovem
- Médio: Xinomavro, Merlot, Chardonnay s/ carvalho
- Encorpado: Agiorgitiko, Cabernet, Assyrtiko maduro
- Muito encorpado: Mavrodaphne, Shiraz, Amarone
E os vinhos gregos? Onde entram nessa história?
A Grécia produz vinhos com personalidades muito distintas, e o corpo é parte importante dessa identidade. O Assyrtiko de Santorini, por exemplo, começa leve e mineral nos vinhos jovens, mas pode ganhar um corpo impressionante quando envelhecido em carvalho. Já o Agiorgitiko, do Peloponeso, é um tinto naturalmente encorpado, com taninos macios e cor intensa. E a Mavrodaphne, produzida em Patras, é um dos exemplos mais robustos, um vinho de sobremesa com corpo e doçura que ficam na memória.
Entender o corpo de um vinho é o primeiro passo para escolher melhor o que servir em cada ocasião, e para descobrir quais estilos mais combinam com o seu paladar.
Quer explorar essa diferença na prática?
No portfólio da La Masia você encontra vinhos gregos de diferentes estilos e corpos, do Assyrtiko mais fresco ao Agiorgitiko mais estruturado. Fale com a gente e monte a sua primeira seleção.